OS CARISMAS E O SEU EMPREGO
Os carismas eram comuns no início da Igreja. Portanto, não são novidades trazidas pela Renovação Carismática Católica, a não ser no aspecto do seu exercício nos tempos atuais.
Os grupos de oração tornaram possível a sua manifestação em maior intensidade, percebendo sua qualidade de “dom” para todos os que crerem, conseqüência normal do batismo no Espírito.
Os carismas estão amparados na doutrina da Igreja, além de serem fundamentados Biblicamente. Nesse sentido, é necessário afirmar a atualidade dos carismas e promovê-los como realidades necessárias à evangelização e ao crescimento pessoal de cada cristão.
Convém abalizar dons efusos, que é matéria deste estudo, dos dons infusos, que também são carismas do Espírito, mas que se distinguem daqueles:
a) Dons infusos - temor de Deus, fortaleza, piedade, conselho, conhecimento, sabedoria e discernimento (cf. Is 11, 1-3). Num total de sete, esses dons são concedidos para a pessoa (infundidos), aprimoram e reforçam as virtudes, constituindo-se em benefícios para o crescimento pessoal;
b) Dons efusos — línguas, profecia, interpretação, ciência, sabedoria, discernimento dos espíritos, cura, fé e milagres (cf. 1 Cor 13, 8-10). Num total de nove, esses dons são para o serviço e o bem comum e são concedidos como manifestações atuais, de acordo com a vontade de Deus.
O que são carismas
Os carismas são dons, graças, presentes, dados pelo Espírito Santo, “mas um e o mesmo Espírito distribui todos esses dons, repartindo a cada um como lhe apraz”(l Cor 12,11). Em sentido restrito, os carismas são manifestações extraordinárias do Espírito Santo para proveito comum.
Pelo seu próprio caráter, dom não implica santidade. Na verdade, qualquer pessoa pode receber os presentes de Deus (cf. At 10, 34). Porém, não se pode esquecer que quem não tem vida espiritual e reta intenção de agradar a Deus, certamente usará mal os carismas.
Quando utilizar os carismas
É difícil precisar em que momentos utilizar os carismas do Espírito. O seu exercício deve se dá sempre, notadamente quando as situações o exigirem.
No entanto, é preciso dizer que os carismas são realidades atuais e não adquiridas por posse. É o Espírito que opera tudo em todos (cf. 1 Cor 12, 6-7), a seu querer.
Não seria justo, portanto, atribuir a uma pessoa ou grupo de pessoas específico a contenção exclusiva de qualquer manifestação carismática.
Nem mesmo se pode dizer que alguém “tem” este ou aquele dom, pois cada manifestação é única, mesmo que se processe com muita freqüência através de determinadas pessoas.
Contudo, não se pode cair no equívoco de reduzir os dons do Espírito a algumas ocasiões especiais. Eles foram dados em profusão nos tempos atuais.
Peculiarmente, a ação evangelizadora constitui um momento preciso de vivência dos dons efusos. O uso dos carismas não é só um direito, é um dever de todos os fiéis.
Os dons efusos e a caridade
Jesus deu o mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo” (Jo 15, 12.17).
Dessa forma, o bom uso dos carismas é garantido pelo amor, que é o dom por excelência e que atribui sentido aos outros dons. Os carismas, portanto, são fundamentados na caridade.
Os carismas devem ser pedidos com fé e exercidos na humildade
É exatamente por causa do amor que os dons efusos devem ser almejados. “Empenhai-vos em procurar a caridade”, encoraja São Paulo (cf. 1 Cor 14, la); e acrescenta: “aspirai igualmente os dons espirituais, mas sobretudo ao da profecia” (cf. 1 Cor 14, lb).
Por isso, os carismas devem ser pedidos com fé e sem temor Para o exercício prático dos carismas, não se deve esquecer três coisas fundamentais:
a) Humildade
b) Harmonia
e) Ordem
Palavra da Igreja
É oportuno destacar algumas asserções do Magistério da Igreja em relação aos carismas e seu uso. As palavras da Igreja tiram o medo e as dúvidas quanto à necessidade e utilidade dos carismas, bem como o direito que os fiéis leigos têm de usá-los para o bem comum.
Conclusão
É importante tomar consciência de que todo bem, todo dom, todo serviço prestado ao Reino de Deus em nome de Jesus, acontece sob a ação do Espírito Santo. Sem ele nada é eficaz para o Reino de Deus. “Nunca será possível haver evangelização sem a ação do Espírito”.
Carismas (Mod. Básico - Apost. 2)