Setembro de 2007. A estudante Priscylla Pereira Fernandes, 18 anos, andava desconfiada, mas como era a primeira gravidez, não sabia bem reconhecer os sintomas. Confirmado, estava grávida do namorado com quem mantinha relacionamento há cinco anos. Na mesma época ficou sabendo que tinha sido aprovada em dois vestibulares em Campina Grande e Patos-PB. Dentro desse balaio de acontecimentos, Priscylla tinha a missão de contar aos pais sobre a gravidez “inesperada”. Ufa! Que alegria, eles entenderam! “O mais intrigante era que eu sentia que a minha bebê, já sabia que era uma menina, nasceria com algum problema de ordem cromossômica. Não sei, eu sentia dentro de mim”, conta Priscylla enquanto remexia nesse grande e doloroso baú de recordações. Ao visitar o seu ginecologista, a jovem estudante pede uma ultra-sonografia para certificar seu sentimento. Sim, o seu sexto sentido de mãe estava correto. Priscylla estava gerando uma criança portadora de uma síndrome rara, chamada Síndrome de Tuner. “Na minha cabeça, minha bebê tinha Síndrome de Down e já estava sendo amada da mesma forma”. Para surpresa da família o problema era mais sério, além da Síndrome de Tuner, a bebê tinha um coágulo enorme que se estendia da cabeça até o pezinho. No silêncio do consultório frio, a jovem mãe ouviu do médico que a criança não nasceria e a melhor opção era o aborto, “evitando assim maiores sofrimentos para você, Priscylla”, revelava o ultrassonografista. A jovem conta que fitou firmemente o médico e disse: “Não farei o aborto, levarei a gravidez até quando Deus quiser, já que ele é o Senhor da Vida”, embora emocionada. Para desespero de Priscylla, quando o namorado soube do problema da criança, a abandonou, mas seus pais, Maria Cleoneide e Onesimar, a irmã, Patrícia, e familiares continuaram firmes ao seu lado. Outra pessoa importante nessa cruzada pela vida foi padre João Alfredo, que se tornou seu orientador espiritual e numa das conversas falou: “PRISCYLLA, DEUS NÃO DÁ UM FILHO ESPECIAL PARA QUALQUER MÃE. SE VOCÊ TEM UM FILHO ESPECIAL É PORQUE É MAIS ESPECIAL AINDA. DEUS NÃO ESCOLHE OS CAPACITADOS, ELE CAPACITA OS ESCOLHIDOS”.
Via crucis - O tempo foi passando, Priscylla procurou um geneticista em Natal para fazer o pré-natal e começar assim uma verdadeira “via crucis” pela vida de “Maria Clara”. Certa vez, a jovem ouviu de uma pediatra, em Mossoró, sobre o seu caso: “Sua filha, se nascer, vai ser horrorosa”. Tudo levava para que a jovem mãe desistisse de lutar pela filha, mas nada abalava sua certeza de lutar pela vida de Maria Clara e se aprofundar no problema ouvindo especialistas ou investigando pela internet. Ao completar cinco meses, Priscylla descobre que Maria Clara está morta e faz uma cirurgia de emergência. Aos prantos, ela pede para ver o rostinho da filha. A tia enfermeira atende o pedido da sobrinha. “Ela era linda, um anjo no céu por todos nós”, conta a brava mãe e revela que essa sua história já serviu de exemplo. Através da internet, conheceu uma garota chamada Andréia que queria abortar uma criança com a mesma síndrome de Maria Clara. “Consegui que ela desistisse e hoje acompanho o desenvolvimento da pequena Isabelle. Quero que a história da minha vida sirva de exemplo para muitas garotas que pensam no abono. Vocês devem dizer não ao aborto e sim à vida que nasce dentro de vocês”, argumenta emocionada. Ela diz mais: “em nenhum momento, apesar de todo o sofrimento, pensei em aborto, pois acredito num Deus que é vida”.
Fonte: Jornal A Luz
(Informativo mensal, nº. 13, da Diocese de Santa Luzia de Mossoró/RN, fevereiro de 2008)